sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Vem, vem banhar-te em mim...

A dor que sinto é forte como a morte.
Não vivo.
Apenas ando perambulando levada como folha ao vento.
Não tenho sonhos, tenho medo de sonhar e ao despertar,
Voltar ao pesadelo.
Não falo.
Prefiro o silêncio de meus pensamentos que gritam em meus versos.
Apenas choro.
Choro a falta de amor.
Choro a dor da prisão que me atormenta, que me mantem assustada, e a insegurança de tentar uma nova realidade lá fora, fora do meu mundo.
Preciso respirar e não encontro ar.
As correntes que me prendem sangram meus pulsos e olhando para elas sofro enquanto as lágrimas misturam- se ao sangue que pingam em meu frágil corpo
Olho e nada vejo além destes altos muros de pedras que me cercam.
Muros de pedras que foram carregadas por mim, uma  a uma.
Agora a porta semiaberta me assombra
Vejo entrar uma brecha de luz, um simples raio de sol e me encolho amedrontada.
 Acostumada o frio do cárcere úmido, o calor que se atreve a entrar em meu mundo, me assusta.
Fico de longe a olha-lo enquanto enxugo as lágrimas com as mãos sujas de sangue, manchando meu rosto magro branco e sofrido.
Meus olhos sentem dificuldades ao contemplar a luz.
Meu corpo estremece quando sente um pequeno raio bater em meu pé descalço.
Então, sem esperar, alguém abre a porta e deixa a luz entrar inesperadamente e me encontra assim.
Chega a mim, consegue sentir a dor das minhas feridas.
Alguém que apenas cuida de meus pulsos marcados, limpa  com tanta ternura o sangue e as lágrimas que  me sujam, enquanto sorrir pra mim.
Levanta-me e mostrar-me que posso sair da prisão, existe uma vida lá fora onde posso agora caminhar sem as correntes que me limitam, correr na grama e me jogar na água límpidas do rio que corre ligeiro a convidar com o barulho de sua correnteza como a dizer:
 - Vem, vem banhar-te em mim...
SOL.Sunshine

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